O glaucoma é uma das doenças em que o fator hereditário apresenta maior relevância. 20% dos
glaucomatosos têm história familiar dessa doença. O risco dos descendentes em primeiro grau apresentarem a doença varia de 10 a 40%.
O paciente geralmente não percebe que sofre de glaucoma. Na maioria dos casos desenvolve-se lentamente, no transcurso de meses ou anos, sem ocasionar nenhum sintoma. O dano pode progredir com tanta lentidão que a pessoa não se dá conta da perda gradual da visão. Em geral, a visão vai piorando até que lentamente começa a afetar o próprio centro do campo visual e se estabelece a cegueira permanente.
Essa região reflete não apenas a presença de doenças oculares, como o glaucoma, mas também outros males como diabetes, distúrbios da tireóide e até câncer. Considerada uma das doenças mais traiçoeiras para a visão, o glaucoma precisa de atenção especial, se não for diagnosticado a tempo e tratado de forma adequada pode causar a morte gradual das fibras que formam o nervo óptico e nessa fase mais avançada, pode levar a cegueira. Essa enfermidade atinge cerca de 4% da população acima dos 40 anos e é mais diagnosticada entre pessoas negras, portador de alta miopia.
“Dizem que o olho não mente”. Especialmente se for analisado por um oftalmologista e seus instrumentos especiais, o oftalmoscópio, permite ao médico examinar o interior da visão do paciente. Tudo aparece no fundo do olho, a região que fica entre o cristalino (espécie de lente atrás da íris) e a retina (a membrana de células sensíveis à luz e receptoras de imagens, localizada na parte posterior do olho). O fundo do olho é o único local do corpo humano em que os vasos sangüíneos são vistos diretamente. E qualquer alteração aí pode indicar um desequilíbrio.
Essas características são passadas geneticamente. Por isso todo cuidado é pouco. Filhos e irmãos de quem tem glaucoma devem ser também examinados com freqüência. Algumas doenças, como o diabetes e inflamações oculares, traumatismos e cataratas avançadas, também podem gerar casos de glaucoma.
“O exame periódico para se checar a pressão dos olhos já é um passo importante na prevenção desta doença, mas não é o suficiente”. Novas tecnologias vêm sendo incorporadas em nossa rotina diária que permitem detectar precocemente a doença. A tomografia de coerência óptica (OCT) permite aumentar cem vezes a retina e detectar perdas mínimas, antes invisíveis”, esclarece o médico.
Os sintomas são quase imperceptíveis, levando as pessoas à falsa crença de que estão saudáveis, mas podem se agravar bem rápido. Existem vários tipos de glaucoma. O crônico simples ou de ângulo aberto que representa mais ou menos 90% dos casos e costuma atingir pessoas acima dos 40 anos e, normalmente não apresenta sintomas. Quem tem familiares com a doença poderá apresentar maior risco de desenvolver a lesão do nervo óptico. Já o glaucoma de ângulo fechado provoca aumento súbito da pressão ocular. Isso ocorre por conta do estreitamento do espaço entre a íris e a córnea, que impede a passagem do líquido do olho (humor vítreo). Doenças decorrentes de outras enfermidades, como o diabetes, são chamadas de secundárias e suas causas são infecções, inflamações, presença de tumores e qualquer outro problema que interfira no fluxo do líquido do olho.
Alexandre Pereira
Diretor da Suporte Diagnóstico em Oftalmologia
Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Oftalmologia
Professor do curso de especialização (Latus Sensu)
da Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio)
Professor de especialização da Sociedade Brasileira de Oftalmologia